V Seminário Internacional das Artes e seus Territórios Sensíveis

 

17 a 21 de maio de 2022

 

II Seminário TEPe: Encontro Internacional de Performances Expandidas

 

EXPANDIR A PAISAGEM, PRATICAR OS TERRITÓRIOS: ENCONTROS E TENSÕES

Dia 20/05

6ª feira

Conferência:

Territórios da memória e da corporeidade

Local:

Auditório Porto Iracema

9h30-10h45:

Merremii Karão Jaguaribaras (“Plantando memória”), Emyle Daltro + Antonio Layton (“Conferências Dançantes”)

Mediação:

Leonel Brum 

Apresentação de pesquisa artística: “Plantando Memórias”

Nossa conferência apresenta o projeto de pesquisa artística e extensão "Conferências Dançantes – movidas pela interculturalidade crítica", uma iniciativa do Coletivo Areia: pesquisa artística e criação em/com dança, vinculado aos Cursos de Graduação em Dança da Universidade Federal do Ceará (UFC). Compreendemos como “conferência dançante” a apresentação realizada por uma pessoa ou grupo, em que o público é convidado a intervir livremente, tornando a conferência um processo de composição coletiva, uma vez que o público é convidado a improvisar a partir de como é afetado pela fala do/a/e conferencista, e a própria fala do/a/e conferencista é modificada pelas intervenções do público. A noção de conferência dançante nos interessa por vários motivos, um porque aproxima público e conferencista numa produção coletiva de linguagem, o que nos remete a modos de fazer de poéticas afro-brasileiras e indígenas, reconfigurando o lugar de conferencistas e espectadores. Reconfigura também a noção hegemônica de conhecimento e de como produzi-lo, pois subvertemos, por exemplo, regimes de atenção que primam pelo foco, pelo pensamento objetivo, pela lógica cartesiana e utilitarista e apostamos nos funcionamentos de uma atenção flutuante, aberta e concentrada; na possibilidade de intervenção do público durante a apresentação do/da conferencista; na improvisação em dança em tempo real e no discurso que se tece com movimentos corporais, imagens, sonoridades, falas desconexas, falas poéticas, canções etc., além das palavras escritas previamente preparadas e que são lidas ou servem de base para o/a conferencista. A interculturalidade crítica (WALSH, 2009), que move o projeto, tem um significado fortemente ligado a um projeto social, cultural, educacional, político, ético e epistêmico em direção à decolonialidade que pode nos conduzir a um mundo mais justo.




Merremii Karão Jaguaribaras

Agricultora, Militante Indígena, Contista, Poetisa, Ambientalista, Artista Visual. Graduanda em Sociologia pela Unilab-CE, e Graduanda em Serviço Social pela Anhanguera-UNIDERP-Centro de Educação à Distância-CEAD, Membro do Grupo Tamain-artistas indígenas-CE.

Emyle Daltro

Artista da dança, professora e pesquisadora nos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Dança da Universidade Federal do Ceará (UFC). Doutora em Arte pela Universidade de Brasília (UnB); Mestra em Estudos de Cultura Contemporânea pela UFMT. Coordenou o projeto de pesquisa Arte, decolonialidade e invenção (2016-2019) e o projeto de extensão Grande Roda: africanidades, ancestralidades e interculturalidade em movimentos (2017-2018). Co-coordenou o Grupo de Pesquisa Sonoridades Múltiplas, junto com Consiglia Latorre, trabalhando improvisação e composição em música e dança (2018-2019). Atualmente é coordenadora dos Estágios do Bacharelado e da Licenciatura em Dança (UFC), coordena também o Coletivo Areia: pesquisa artística e criação em/com Dança (CNPq). É pesquisadora do Observatório e Laboratório de Pesquisa Artística: performance, criação e cultura contemporânea na América Latina (UFMT). 

Antonio Layton Souza Maia

Mestre em Artes pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor temporário da licenciatura em Artes Visuais da Universidade Estadual do Ceará (UECE - Campus Avançado de Mombaça). Doutorando em Artes Visuais (PPGAV / UFRJ) e licenciando em Artes Visuais (Universidade Estácio de Sá). Professor e improvisador, atua desde 2014 em projetos de improvisação em dança e música. Desde 2020, integra o Coletivo Areia: pesquisa artística e criação em/com dança e, desde 2016, faz parte do Coletivo Insopitáveis, grupo de escritores de diversas regiões do Brasil que, anualmente, publica coletâneas de ensaios em redor da escrita experimental e da estética da existência.



10h45-11h15:

Intervalo



Conferência:

Territórios políticos e imaginativos na arte

Local:

Auditório Porto Iracema

11h15-12h30:

Cíntia Guedes, Luciara Ribeiro (“Bienal de São Paulo e os modernismos africanos (1951-1961)”)

Mediação:

Lucas Dilacerda



Cíntia Guedes 

Doutora em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com ênfase em relações raciais, colonialidade do poder e produção de subjetividade. Mestra pelo Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade (CAPES/UFBA) na linha de pesquisa Cultura e Identidade, com ênfase em cinema, estética, diversidade de gênero e sexualidade. Graduada em Comunicação com habilitação em Produção em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Professora Adjunta A/1 da Universidade Federal da Bahia, área de concentração Perspectivas Afrodiaspóricas nas Artes. Realiza ações multidisciplinares no campo da arte contemporânea. Suas abordagens mais recorrentes são sobre memória, corpo e produção de subjetividades desde perspectivas anticoloniais e anti-racistas.



Luciara Ribeiro

Educadora, pesquisadora e curadora. Interessa-se por questões relacionadas a descolonização da educação e das artes e pelo estudo das artes não ocidentais, em especial as africanas, afro-brasileiras e ameríndias. É mestra em História da Arte pela Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2018), onde foi bolsista da Fundación Carolina, e pelo Programa de Pós-Graduação em História da Arte da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2019), onde foi bolsista CAPES. É graduada em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP, 2014) com intercâmbio na Universidade de Salamanca (USAL, Espanha, 2012). É técnica em Museologia pela Escola Técnica Estadual de São Paulo (ETEC, 2015). Atualmente é docente no Departamento de Artes da Faculdade Santa Marcelina. 

Lucas Dilacerda

Curador e pesquisador em artes. Graduado (Licenciatura e Bacharelado) em Filosofia, com distinção Summa Cum Laude, pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Especialista em Filosofia Clínica, pelo Instituto Packter, Mestre em Filosofia, com ênfase em Estética e Filosofia da Arte, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFC, e Mestrando em Artes, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da UFC. É coordenador do LEFA - Laboratório de Estética e Filosofia da Arte, e é monitor de Curadoria e Crítica de Arte, no Curso de Extensão em Curadoria de Exposição, do MAUC - Museu de Arte da UFC. Foi pesquisador do Núcleo de Pesquisa do MAC - Museu de Arte Contemporânea do Ceará. Foi integrante do Laboratório de Artes Visuais, do Porto Iracema das Artes. Foi orientador no Laboratório Reticências de Criação, acompanhando o processo de artistas contemporâneos. Foi curador das exposições “Arre_mate”, “Soteramento” e “Decomposição”, e compôs a equipe curatorial das exposições “A casa, o doce e baobá”, no Minimuseu Firmeza; e “Ant_ Corpo”, na Galeria Sem Título Arte.

Almoço:

12h30-14h 



Mesa aberta:

Textos e tessituras

Local:

Biblioteca Pública Estadual do Ceará

14h-15h30:

proposta editores do livro TEPe: extratos de textos

Rui Antunes, Beatriz Cerbino, Joana Braga, Paulo Caldas

Como vivemos hoje as cidades? Como é que os nossos corpos figuram nos espaços urbanos e como reconfiguram esses mesmos espaços? Que sons escutamos e que sons fazemos escutar? Como é que as sonoridades condicionam o espaço urbano? Que percepções temos das diversas camadas sensoriais da cidade? E das demais camadas históricas e sociais? Qual o nosso campo de intervenção?

Esta mesa aberta tem como finalidade iniciar a criação de um mosaico bibliográfico composto por excertos de ensaios, livros e artigos que cada participante do Seminário considere uma referência fundamental no domínio tripartido cidade-corpo-som. 

A proposta é utilizar os excertos trazidos para a mesa como disparadores da conversa e, posteriormente, como complemento bibliográfico aos materiais textuais e imagéticos produzidos no contexto do TEPe, e que deverão ser compilados e publicados em formato impresso e/ou eletrônico.

Rui Antunes

Artista Visual, académico, e investigador em animação. Investigador pós-doutorado do projecto financiado pela FCT Technologically Expanded Performance no INET-md | Faculdade de Motricidade Humana, em Portugal (PTDC/ART-PER/31263/2017). Investigador principal do projecto de investigação também financiado pela FCT, Dança Fantasmagórica: Uma metodologia de análise do movimento de dança em interacção com a realidade virtual (EXPL/ART-PER/1238/2021). Anteriormente Marie Sklodowska-Curie Fellowship (Individual Global Fellowship) no MIRALab, Universidade de Geneve, e BioISI, Faculdade de Ciências, Universidade de Lisboa. Ao longo da sua carreira, tem sido patrocinado por organismos de prestígio como a Agência Europeia de Investigação ou a Fundação para a Ciência e Tecnologia. A sua investigação centra-se na animação do movimento humano. Isto gerou uma carreira de investigação de percursos paralelos tanto no seio da academia (Universidade de Londres, Universidade de Genebra, Universidade de Lisboa - Faculdade de Ciências e Faculdade de Motricidade Humana) como na indústria, onde foi também co-fundador e CTO da empresa spin-off, AnabiVirtual, dedicada ao desenvolvimento de experiências interactivas envolvendo AR e VR para lugares do património cultural. Anteriormente, completou um doutoramento em Artes e Tecnologias Computacionais na Goldsmiths, Universidade de Londres, na interseção de arte, ciência e tecnologia. Isto foi um resultado de uma prática paralela como artista visual iniciada no início dos anos 90 no Ar.Co, em Lisboa, Portugal. O seu trabalho foi premiado duas vezes no concurso VIDA para arte e inteligência artificial (edições 12 e 13) e aparece em várias publicações tais como o livro Preble's Artforms, a revista científica ALife, ou Leonardo Electronic Magazine, e em vários catálogos de arte.

 

Beatriz Cerbino

Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), no curso de graduação em Produção Cultural e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes - PPGCA. É pesquisadora do INCT Proprietas, pesquisadora-colaboradora do TEPe, colaboradora do dança em foco e da Rede Ibero-americana de Videodança – REDIV, e curadora da mostra Redes Confluentes.

 

Joana Braga

É arquiteta, artista e investigadora. O seu trabalho articula práticas espaciais, discursivas, visuais e performativas para explorar a experiência estética do espaço e também as suas dimensões culturais, políticas e sociais. Atualmente debruça-se sobre a caminhada como prática experimental e artística para repensar criticamente a o espaço habitado e a relação que com ele estabelecemos. A sua atividade tem sido multifacetada, compreendendo a prática artística, a investigação, a curadoria, a escrita e práticas pedagógicas. Investigadora no DINAMIA’CET (ISCTE-IUL). Mestranda em Estética e Estudos Artísticos (Nova FCSH.) Pós-graduada em Arquitectura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos (ISCTE-IUL) e em Arquitectura Bioclimática e Restauro Ambiental (FA-UL). Licenciada em Arquitectura (FA-UL).

 

Paulo Caldas

Formado em Dança Contemporânea na Escola Angel Vianna e em Filosofia (UERJ), mestre e doutor em Educação (UFC), tem sua produção artística marcada pela aproximação entre dança e cinema/vídeo. Sua companhia de dança Staccato, da qual foi diretor e coreógrafo desde sua criação em 1993 até 2014, mereceu diversos prêmios e distinções nacionais e internacionais. Sua produção artística (que envolve espetáculos, instalações e videodanças) já foi apresentada em diversas cidades no Brasil, e também na Alemanha, Argentina, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, Japão, México e Portugal. Foi professor convidado em importantes companhias de dança nacionais, como Lia Rodrigues Companhia de Danças (RJ), Cia de Dança Deborah Colker (RJ), Primeiro Ato (MG) e Quasar Cia de Dança (GO). Idealizador e codiretor artístico, desde 2003, do dança em foco – Festival Internacional de Vídeo & Dança, foi professor da Faculdade Angel Vianna (1995/2010), onde coordenou o curso de pós-graduação “Estéticas do Movimento: Estudos em Dança, Videodança e Multimídia”. Entre outras publicações, coorganizou livros pioneiros no Brasil acerca da videodança e, com Ernesto Gadelha, a coletânea “Dança e Dramaturgia[s]”, em 2016. É professor dos cursos de Bacharelado e Licenciatura em Dança da Universidade Federal do Ceará, onde colabora com o projeto Midiadança e coordena o docdança (projeto de acervo físico e digital).

Intervalo:

15h30 às 16h

 

Mesa entreaberta:

Arquivos digitais e corpo-arquivo

Local:

Biblioteca Pública Estadual do Ceará

16h-17h30:

Catarina Canelas, Daniel Tércio, Sérgio Bordalo e Sá, Milena Szafir

Moderação:

Thaís Gonçalves

Lepecki falou do corpo-arquivo sobretudo a propósito dos re-enactments de artistas como Martin Nachbar. Introduziu assim uma ideia polêmica e desafiante no campo das teorias do arquivo, uma vez que o corpo se situa, de certo modo, na antítese da estabilidade arquivística. Esta long table será uma oportunidade para discutir esse afastamento convencional e a aproximação recente. Como é que hoje os arquivos convocam os artistas da performance à ação? E como é que os artistas podem actuar no seio dos arquivos, com os seus próprios corpos?



Catarina Canelas INET-md/FMH 

Desde outubro de 2017, a Catarina é bolseira de investigação do INET-md, pólo da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa,  encontrando-se atualmente a trabalhar no desenvolvimento da Terpsicore, Base de Dados de Dança. Licenciou-se em Política Social (ISCSP-UTL), em Dança (FMH-UL) e é mestra em Política Social (ISCSP-UTL). 

catarinaacanelas@gmail.com

Daniel Tércio  
Bacharel em Filosofia e Licenciado em Belas Artes, pós-graduado em História da Arte e Doutor em Motricidade Humana, Dança. É Professor Associado aposentado da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa e investigador do INET-md, Instituto de Etnomusicologia - centro de estudos em música e dança. Como membro da direção, coordena a secção do INET-md da Faculdade de Motricidade Humana, liderando o grupo de Estudos da Dança. Publicou mais de 20 artigos em periódicos especializados, como Performance Research (UK) e Repertório (Brasil). É autor de vários capítulos de livros, alguns dos quais em volumes publicados por editoras de prestígio como Peter Lang e SAGE. Como investigador principal coordenou o projecto “Dança Tecnologicamente Expandida” (TEDance) e atualmente coordena dois projetos: "Terpsicore", um arquivo sobre dança e artes performativas, e o projeto financiado pela FCT "Performance Tecnologicamente Expandida" (TEPe), este em parceria com a Universidade Federal do Ceará. Também liderou dois projetos de intercâmbio com universidades francesas. É autor de dois romances de ficção científica e de vários contos publicados por editoras portuguesas e brasileiras. Como crítico, os seus textos sobre dança aparecem regularmente na imprensa portuguesa desde 2004. Atualmente, os seus interesses vão da estética e história da dança aos estudos culturais, iconografia, tecnologias digitais e estudos da cidade.

Sérgio Bordalo e Sá
É licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa (1998), tem um mestrado em Film Studies pela The University of Iowa (2001) e um doutoramento em Estudos Artísticos – Estudos do Cinema e Audiovisual pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2013). A sua tese de doutoramento intitulou-se: "Triunfos e Contradições da Vontade: Para uma Releitura de Lopes Ribeiro e Leitão de Barros no Contexto do Cinema de Propaganda" (Riefenstahl, Eisenstein e cinema mussoliniano). Depois de terminar o doutoramento, teve uma bolsa de investigação durante um ano para trabalhar num projeto acadêmico do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) relacionado com filmes turísticos. Em junho de 2015, começou a trabalhar no projeto de investigação do INET-md - polo FMH, primeiro como bolseiro e desde abril de 2019 como investigador auxiliar, onde pesquisa a relação entre a dança e o cinema. Foi igualmente Professor-Adjunto Convidado na Escola Superior de Artes e Design do Instituto Politécnico de Leiria (2014) e na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal (2018/19).

Milena Szafir
Formada em design, arquitetura, urbanismo e cinema pela USP. Professora nos cursos de design, cinema/ audiovisual e na Pós Graduação em Artes da UFCE, onde coordena o Projet’ares Audiovisuais (www.projetares.art.br), desde 2013. É ex-artista transdisciplinar multimidiática (www.manifesto21.tv)

Intervalo:

17h30 às 18h

 

Performance:

Local:

Dragão do Mar - Embaixo do planetário

18h:

Caminhada do vagar - Catarina Canelas (inscrição prévia)

Vagar é o nome que se dá à falta de pressa.

O coração da cidade onde nos encontramos pulsa a um ritmo que geralmente interpretamos como rápido e ao qual reagimos ainda mais rapidamente. E a rapidez torna-se uma espiral e uma adição que nos arrasta e nos treina para arrastar quem nos rodeia.

Será que ainda temos poder e saber para nos desacelerarmos neste contexto? Ou temos de fugir da cidade para o conseguir? Podemos reivindicar o direito a não ter pressa? Ainda sabemos qual é o nosso ritmo? Conhecemos o tamanho e a velocidade do nosso passo original? 

Esta proposta convida a caminhar vagarosamente, a marcar o ritmo a partir da respiração, da pulsação, de um cântico inventado, do nada. Esta ação não é um relaxamento, e requer muita energia, intenção e curiosidade. 

Como passam as horas quando estamos apenas connosco e achamos que temos todo o tempo do mundo? O que muda em nós? Depois do corpo abrandar, quanto tempo demoram as nossas ideias a desacelerar? E como é que a nossa desacelaração reverbera à nossa volta?

O ritmo da cidade versus o nosso ritmo interior. O ritmo de fora e o ritmo de dentro. Podemos ir ainda mais devagar? E ainda mais devagar? Caminhar lentamente sem nunca parar.

Vagar também significa ensejo, momento propício. A falta de pressa pode abrir o tempo e recriar o espaço, destapando o que está escondido quando passamos a correr.

No seu ensaio minimalista Gravidade Steve Paxton fala-nos da lentidão como oportunidade: “Aprender ou criar ações para serem mais lentas do que a nossa relação normal de pensamento/ação, dá à mente tempo para sair das suas relações habituais e práticas com eventos e experimentar o que antes eram instantes de transição.” (2018:28, minha tradução)

De olhos fechados, sem pressa, com vagar, esta caminhada é um convite à inscrição da nossa cronosfera no coração da cidade.



Bibliografia: PAXTON, Steve. Gravity. Bruxelas, Éditions Contredanse, 2018

Catarina Canelas INET-md/FMH 

Desde outubro de 2017, a Catarina é bolseira de investigação do INET-md, pólo da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa,  encontrando-se atualmente a trabalhar no desenvolvimento da Terpsicore, Base de Dados de Dança. Licenciou-se em Política Social (ISCSP-UTL), em Dança (FMH-UL) e é mestra em Política Social (ISCSP-UTL). 

catarinaacanelas@gmail.com



Image