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APROXIMAÇÕES INTERDISCIPLINARES AO ACTO DE CAMINHAR

24 de JUNHO, 2021

Conferência inserida no doutoramento em motricidade humana, especialidade em dança 

Inscrições

inetmd.fmh@fmh.ulisboa.pt

 

Sessão remota

Faculdade de Motricidade Humana Universidade de Lisboa

Rita Cordovil


RITA CORDOVIL

O início da caminhada: temos mesmo de chegar a algum lugar?

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O INÍCIO DA CAMINHADA: TEMOS MESMO QUE CHEGAR A ALGUM LUGAR?

Aprender a andar é um marco fundamental no desenvolvimento da criança. A partir do momento em que a criança consegue manter-se de pé e caminhar de forma autónoma tudo muda, tem um novo ponto de vista, chega a novos locais, desloca-se mais rapidamente e tem as mãos livres para interagir com o mundo. Esta conquista não é apenas motora, uma vez que vai despoletar uma cascata de desenvolvimento a vários níveis (social, cognitivo e emocional). Antes de andarem, as crianças usam outras estratégias para se deslocarem, a maioria gatinha. Esta primeira forma de locomoção é importante para testarem a relação do seu corpo com o espaço e aprenderem a conhecer os seus limites e possibilidades de ação. A persistência e a vontade constante de superação que caraterizam os primeiros anos, fazem com que a estabilidade do gatinhar seja rapidamente substituída pela incerteza dos primeiros passos, que se vão tornando cada vez mais seguros à medida que o tempo passa e a criança continua a praticar. Nesta apresentação, a aquisição do andar autónomo será utilizada como exemplo para ilustrar os processos de mudança que ocorrem ao longo do desenvolvimento e que são continuamente constrangidos pela interação entre o indivíduo, a tarefa e o envolvimento. Será salientada a importância da experiência e da exploração na aprendizagem do caminhar, assim como as influências culturais neste processo. Por fim, será realçada a importância da variabilidade que está inerente ao processo de caminhar desde o início. Os primeiros caminhos feitos pelas crianças são pouco previsíveis e nem sempre dirigidos a um objetivo. No início, a exploração parece ser mais importante que o destino, sendo fundamental para o desenvolvimento do caminhar. Ao longo da vida os caminhos tornam-se geralmente mais previsíveis, passando a ser mais raro caminhar sem ter o objetivo de chegar a algum lugar.

Biografia

Rita Cordovil é Professora Auxiliar com agregação na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa (FMH, UL). Atualmente leciona a disciplina de Desenvolvimento, Controlo Motor e Aprendizagem e integra o Laboratório de Comportamento Motor e o centro de investigação CIPER (grupo Biolad) da FMH. As suas principais linhas de investigação integram-se nas áreas da percepção e ação (dando especial relevância à percepção de affordances de risco ao longo do desenvolvimento), e do desenvolvimento e aprendizagem (dando especial relevância ao desenvolvimento de padrões motores, à avaliação do comportamento motor, à competência motora, e à independência de mobilidade). O seu doutoramento (2010) focou-se no estudo da relação entre as características do envolvimento e o comportamento das crianças em situações de risco. Nesta área, atualmente tem utilizado a situação do precipício real e precipício aquático para investigar a influência da experiência locomotora nos comportamentos dos bebés e a questão da transferência de aprendizagem entre diferentes posturas locomotoras. O estudo da competência motora e a sua relação com os comportamentos e trajetórias de vida das crianças tem também merecido especial atenção. Recentemente tem estado envolvida em projetos de investigação e ação a nível nacional e internacional, relacionados com o brincar no exterior, participação e design de espaços de jogo em colaboração com diferentes autarquias. Alguns destes projetos visam promover novas estratégias educativas, em que o movimento e o usufruto do espaço exterior seja nuclear para o desenvolvimento global das crianças em diferentes idades. Tem várias publicações (artigos revistos por pares em revistas com fator de impacto, livros e capítulos de livros) nas áreas de desenvolvimento motor, competência motora, perceção e ação, independência de mobilidade, risco e segurança infantil.

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FILIPA WUNDERLICH

A temporalidade e ritmicidade do lugar através da caminhada no espaço urbano

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TEMPORALIDADE E RITMICIDADE DO LUGAR ATRAVÉS DA CAMINHADA NO ESPAÇO URBANO

À medida que viajam e mudam de local, muitas pessoas notam que algumas cidades se caracterizam por um sentido de tempo vívido e contrastante, e a uma escala menor, o mesmo acontece com locais particulares dentro dessas cidades. Tais cidades e lugares são geralmente considerados como rápidos ou lentos. E dentro das cidades, os lugares urbanos específicos são percebidos como temporalmente distintos. O sentido do tempo não é apenas algo intersubjectivo, mas também local ou específico de um lugar. Esta apresentação irá elaborar sobre o sentido urbano do tempo e do ritmo na medida em que este se relaciona com as especificidades dos lugares urbanos, e na medida em que este varia em função de uma estética do lugar associada à temporalidade. O foco é a estética temporal dos lugares urbanos e a noção de lugar-temporalidade na forma como esta se define através da experiência e dos atributos rítmicos do lugar; uma estética semelhante à música.

Biografia

 

Filipa Matos Wunderlich é Professora Assistente e Directora do Mestrado de Investigação em Design Urbano Interdisciplinar na Bartlett School of Planning, UCL - Universidade College London, no Reino Unido. Filipa tem uma carreira interdisdisciplinar, é arquitecta e desenhadora urbana, com estudos academicos e profissionais nas areas performativas, nomeadamente na Musica. Antes de enveredar pela carreira académica no Reino Unido, exerceu professionalmente a Arquitectura e o Desenho Urbano nos KCAP - Kees Christiaanse Architects and Planners, em Roterdão, por vários anos. É formada em Arquitectura na FAUP, Universidade do Porto e Universidade de Delft, e em Musica classica na ARTEZ - Universidade das Artes de Arnhem, Constantyn Huygens Conservatorium de Musica, Zwolle, na Holanda.

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MARIA JOÃO GOMES

O uso caminhado e a produção da cidade

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O USO CAMINHADO E A PRODUÇÃO DA CIDADE

Um percurso caminhado é mais do que um acesso, mais do que um trajeto. Um percurso caminhado é construído através do tempo e do espaço permitindo a quem caminha experienciar o meio e fazer parte da paisagem urbana praticada. O ato de caminhar, à medida que o corpo se movimenta em constante interação com a ambiente intensifica a relação com o outros e com os territórios atravessados.

Pretende-se assim contribuir para a compreensão da complexidade do caminhar enquanto modo de aceder e participar na cidade, destacando-se a sua relação com o bem estar social colectivo.

Assente na teoria de Henri Lefebvre de produção do espaço, aborda-se o uso caminhado enquanto prática de produção do domínio social público. A partir deste conceito pretende-se operacionalizar a multidimensionalidade do caminhar na interpretação e produção da cidade.

Por fim a partir da noção do uso caminhado enquanto prática produtora de cidade sócio-espacial, pretende-se contribuir para a discussão teórica desta pratica enquanto essência do conceito de cidade e considerar o seu valor na intervenção urbana.

Biografia

 

Maria João Monteiro Gomes é investigadora integrada no Cics.Nova da FCSH-UNL. Licenciou-se em Arquitetura Paisagista (UTL-ISA), tem Mestrado em Ecologia Humana (UÉvora) e Doutoramento em Estudos Urbanos (UNL/ISCTE-IUL). Recentemente estudou o uso caminhado e a sua valência enquanto prática produtora da sócio-espacialidade da cidade. Como investigadora tem vindo a estudar o território urbano e o espaço público analisando sua vertente sócio-espacial. Como principais interesses destaca-se o desenvolvimento do conceito de activação e de monitorização da produção do espaço de zonas urbanas subvalorizadas. No âmbito da arquitectura paisagista tem trabalhado como projectista intervindo no espaço publico.

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TIAGO PORTEIRO

Trajetórias pelo caminhar enquanto experiência artística

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TRAJETÓRIAS PELO CAMINHAR ENQUANTO EXPERIÊNCIA ARTÍSTICA

Numa visão panorâmica e sintética do caminhar enquanto ação e experiência artística tratar-se-á de identificar a partir de diferentes pontos de vista caraterísticas e questionamentos que circunscrevem este ‘movimento’.

Os estudos de caso que se apresentam na segunda etapa da exposição retratam uma diversidade de abordagens.    

Biografia

 

Percurso que articula atividade académica com a de criação artística – ator e encenador.

Doutorado (2006 - Bolseiro PRAXIS/FCT)) e Mestre (1996 - Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian/Belas Artes) em Estudos Teatrais pela Université de la Sorbonne Nouvelle. Frequente o curso Formação para jovens encenadores do T. N. D. M. II (2003 - 6 meses), o Curso de formação de atores IFICT (1987- 8 meses) e SITI Conservatory, intercâmbio artístico internacional em NY/EUA (2016/17 - 8 meses).

Desde 2014 é Prof. Auxiliar na Universidade do Minho (UM)/Teatro, depois de ter estado afeto ao Dep. de Artes Cénicas da U. de Évora (1996-2013). Membro do NIEP – Núcleo de Investigação em Estudos da Performativos da UM.

Áreas de investigação: Formação do ator/performer; Análise de processos criativos; Cruzamentos artísticos; Arte participativa;

http://cehum.ilch.uminho.pt/researchers/36

11:30h – Abertura por Daniel Tércio 

11:45h – Rita Cordovil 

12:30h - Debate com o público

13:00h - Intervalo para Almoço

14:00h - Filipa Wunderlich

14:45h – Debate com o público

15:15h – Maria João Gomes 

16:00h – Debate com público

16:30h – Tiago Porteiro

17:15h – Debate com público

17:45h – Encerramento da sessão 

Organização e Moderação - Rui Filipe Antunes